As emoções, por si só, não são objeto de tutela do Direito. Espero, inclusive, que nunca sejam.
O Direito regula condutas, não sentimentos. Afinal, sentir raiva, medo, euforia ou paixão não constitui, por si só, um comportamento juridicamente relevante. O problema surge quando essas emoções passam a comandar nossas decisões e, consequentemente, nossas ações.
Na advocacia, percebo diariamente o quanto isso acontece.
Atuo com muitos empresários e pessoas que ocupam posições de liderança, cujas decisões impactam não apenas suas próprias vidas, mas também a de colaboradores, familiares e parceiros de negócios.
Certa vez, atendi um empresário do ramo de tecnologia que, praticamente todos os meses, me procurava para elaborar um novo contrato de sociedade. Cada vez era um sócio diferente. Alguns contratos nunca chegaram a ser assinados; outros sequer foram registrados. Apenas uma sociedade foi efetivamente constituída — e terminou em um rompimento pouco tempo depois.
Conversando com ele, ficou claro que havia alguém profundamente apaixonado pela própria empresa. Trabalhava dia e noite, acreditava no seu negócio e dedicava toda a sua energia ao crescimento da empresa. Era um excelente funcionário de si mesmo, mas talvez ainda não fosse o melhor gestor.
Bastava um colaborador demonstrar um pouco mais de empenho ou fazer alguns elogios ao negócio para que ele já enxergasse um futuro sócio. Rapidamente oferecia participação na empresa, convencido de que, juntos, construiriam um grande patrimônio.
O resultado foi previsível: frustrações, conflitos e o risco concreto de perder parte do patrimônio que levou anos para construir.
Essa experiência me ensinou uma lição importante: muitas das decisões com maior impacto jurídico não decorrem da falta de conhecimento da lei, mas da incapacidade de administrar as próprias emoções.
Para quem empreende, isso é ainda mais sensível. Uma decisão tomada no calor da emoção pode gerar prejuízos financeiros, comprometer o crescimento da empresa, criar litígios e trazer para o negócio pessoas que jamais deveriam ter participado dele.
Por isso, antes de qualquer decisão relevante, faça uma pausa e reflita. Pergunte a si mesmo: quais serão as consequências jurídicas, patrimoniais e empresariais dessa escolha?
Emoções fazem parte da natureza humana. Mas decisões importantes devem ser guiadas pela razão.
Porque, muitas vezes, o maior risco jurídico não está na lei. Está na emoção que antecede a assinatura.